terça-feira, 30 de setembro de 2008
Direito, de resposta, uma reposta e riposto de a b.
Eventualmente fizeste algo mais. E se o método, a ciência ou o engenho não me falha fizeste até demais. Não que esperasse daqui uma emoção nefasta da tua pessoa e não desconsiderando a acção, antes exacerbo a ideia, e causando sensação na tua própria reacção. Há sempre alegria em ver as frases desse teu novo ser, ver as novas fases neste dia, e há esperança em ter uma nova estrela que dança, em alcançar o céu neste texto, em rever ideias neste contexto. Posso afirmar que me revi espelhado nesta tua sombra, e conseguiste lançar longe este feitiço que me consome e rasga o peito e me tira da penumbra.
Obrigado
z. ao rubro!
Rá! para z. (e a quem de direito claro! aberto...)
fazer algum sentido de inversão necessária ao outro alter-ego que existe e que que faz coisas que só a ele dizem respeito por razões que só ele sabe e que podia não fazer mas que decidiu fazer ou não fazer por razões que só a ele dizem respeito.
ou seja
a desconstrução é feita lentamente e sem necessidade da acção exterior a não ser que se queira intervir e então, que seja de forma criativa, poética e não frontal ou simplista.
um grande beijo na grande testa de b. a z.
b.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O outro lado do festim
Uma luz brilhante invadiu os céus e tudo ficou em silêncio, sentiu a luminosidade branca invadir-lhe as pálpebras, apesar dos olhos bem fechados, queimava a pele até à carne.
Bombas de fragmentação, estalar e cair. Desfalecer. Que sorte, estava vivo...
A guerra ia longa.
No campo jaziam soldados, o chão de balas, esburacado. Bombas estilhaçavam como que a dizer que ainda ali estava. Tapou os ouvidos e seguiu o caminho do projéctil que subia, vibrava de vida, de morte...e viu avançar um onda de destruição na sua direcção. Foi empurrado para trás ficando colado. Depois veio um calor infernal que lhe arderam os cabelos queimando a terra petrificada e a floresta e a paisagem...
o único ser de pé na trincheira.
o Soldado, o General morto.
Vivalma.
Barulhos preenchiam o seu espaço, pedindo a rendição.
Alucinava. Não sabia. Cadáver recente...carne nos corpos. cabeça de fora e poeira. comeu desalmadamente. Acabou por adormecer estendido. a cabeça não sabia quanto tempo tinha dormido. levantou-se, disparou á fechadura e arrombou-a em seguida. Havia um carro, havia um portão
Tudo isto merecia um festim!
b.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Festim
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Cenas dos próximos capítulos
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Sobre a Ilha
A ilha podes ser tu
Na ilha vivemos para nós e por nós.
Na ilha somos como um átomo em agregação uma particula, uma molecula. Em evolução.
Aumenta, desenvolve-se e reproduz-se.
Na ilha dá-se a selecção natural, a bactéria do nosso ser transmuta-se num mais complexo.
Transforma-se num novo ente e em eterna mutação.
A ilha torna-se no Eu. Comum, Uno e indivisivel.
Reage com o ambiente em redor, emociona-se e sente.
Na ilha somos sozinhos, espelhando as nossas mágoas na largura e imensidão do nosso horizonte tridimensional.
Na ilha as cores são nossas, dela.
Os sentimentos só meus, da ilha.
As texturas como amarguras partilhadas com o céu e espalhadas na areia.
Os relevos como saudades recordadas e dissipadas com o despertar do sol, evaporadas com a neblina matinal.
As brisas, alegrias espalhadas pelos ventos do oceano que circulam, e transportam para longe como sementes e pólens pela atmosfera.
Abraço tudo. Abarco tudo. Sou e estou.
A ilha é e está.
A essência floresce na terra fértil e virgem, e cresce como erva, espalhando-se e ocupando todos os canteiros selvagens, os espaços vazios, as brechas das rochas, os baixios, os leitos secos e avança pelo mar.
A ilha viaja com a maré, flutua na esfera, voa na estratosfera, migra pelo globo.
Ultrapassa o horizonte. Expande-se para o todo.
A ilha está só com tudo. A ilha somos nós.
Tudo abrange.
Tudo é, tudo sente e tudo vê.
A ilha é universal.
Ultrapassa-nos.
A ilha não passa da solidão do cosmos.
O cosmos é um grão de areia na ilha.
Enquanto nós, deitados na praia, olhamos o horizonte.
Imaginando o que há para além dele.
z(eus)
domingo, 14 de setembro de 2008
Arraiolos
1. Ilhas sem mar
2. Ponte sem rio
3. castelo sem rei
Depois explicou-me que de facto há uma terra ao lado de arraiolos que se chama Ilhas (mas não há mar); existe uma ponte quando se chega a Arraiolos, mas não há nenhum rio por baixo da ponte; e finalmente, o castelo (que por sinal tem uma vista linda e muralhas redondas) não tem nenhuma estátua de rei nem nehum rei.
b.
De Vagar
lembro-me que disse que não tinha vagar. eu tinha pedido qualquer coisa. não me lembro o quê. só me lembro que me disse que não tinha vagar.
vagar...
vagar é uma palavra dura, mas não demasiado. vagar pode ser ofensivo. mas apenas ligeiramente. vagar não vem no wikipédia. aliás vem. no wikicionário. mas acho que não encaixa.... vejamos. pedi-lhe algo e disse-me:
não tenho
a. falta de pressa
b. descanso
c. lentidão
agora reflito. não me lembro. não me lembro mesmo o que tinha pedido. se calhar não era importante. não vou perder muito tempo com isso. eu não tenho falta de pressa. mas também não tenho pressa a mais. tenho mais que fazer. mas tembém tenho de descansar. podia ir a correr perguntar, ou pegar no telefone e ligar. porque sou rápido. não tenho lentidão. mas não vou.
se calhar....
se calhar não tenho vagar
bê(hêhê)
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
na tua ilha( numa parte de z.)
sentia e via tudo e todos,
cobertos de tudo desnudados,
limpos e cristalinos,
na praia toda a gente ria,
não sabia nem podia,
nem sequer os via,
tentei aproximar-me,
perdia o sinal,
a ligação.
afinal havia um canal, estava do outro lado
via a tua ilha, porém deslocado.
z.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A nossa ilha (parte A de b.)
A nossa ilha tem côcos e andamos todos a tentar partí-los e recolá-los ao acaso, como um brinquedo velho com que brincava e que hoje tenho pena de não ter guardado. A nossa ilha não tem sítios onde guardar coisas velhas.
A nossa ilha é achatada, é um território onde por vezes preferia que houvessem areias movediças. Mas não há. O que há são elementos estranhos, corpos estranhos, pessoas, animais.
Na nossa ilha tentamos sobreviver ao excesso de sono que nos impede de existir mesmo a dormir pois o que acontece é o de sempre.
A nossa ilha é feita de retalhos como os côcos.
Na nossa ilha há pequenos anões que satisfazem os nossos desejos.
A nossa ilha não tinha originalmente habitantes e nenhum dos mapas acertou à risca naquilo que todos procuravam e ansiavam descobrir. A nossa ilha não estava localizada, não era conhecida, talvez nem existisse.
A nossa ilha é na verdade, tudo o que se queira, apesar de podermos sempre mudar de ilha...
b. (de TdV cutup)
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Sobre os automatismos na laboração do sector terciário
in Kayam Sonedra, Cadernos da essência tripolar e suas consequências, Vol.III. tradução de Sanches Prieto, Edições Cometa, 1981
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Introdução à nova colaboração
Os zeros vão crescer. O apontamentes vai funcionar, como sempre funcionou, à desgarrada, mas desta feita e a partir de hoje com 2 novos colaboradores. E é com muita satisfação e um imenso carinho que os apresentamos.
O 1º é uma colaboradora, que como é óbvio e é apanágio do nosso formato, oculta a sua verdadeira identidade e desponta para as apontamentes com um alter-ego. Nascida, em anos conturbados e prolificos em desconstrução artística, desde cedo demonstrou propensão para as artes. A escrita sempre foi uma paixão e uma profissão inata. Das suas primeiras obras de criança constam uma prensa baseada no modelo de Guttemberg em Lego, tendo imprimido o seu primeiro livro infantil aos 6 anos, de seu nome " A pequena ostra na praia encantada", conta a estorinha deste molusco e gastrópode, que vagueia e divaga numa praia surreal e onde se debate com vários momentos existencialistas num monólogo entusiasmante e introspectivo, focando o lado sombrio e cínico da criança moderna. Por muitos considerado como uma fiel seguidora de Dostoievsi, e aclamada na 3ªmostra de livros infantis de Coimbra, onde ganhou o primeiro prémio para o melhor conto infantil no Portugal dos Pequenitos. Destacam-se também nas colagens em papel, na fotografia estroboscópica e em artes diversas, sendo sempre a primeira da turma e quiçá do País nas disciplinas de artes manuais e arte sacra para principiantes na Escola Primária Bartolomeu de Gusmão. Na idade adulta, o seu portentoso poder criativo abre-lhe portas para o sub-mundo dos intelectuais obscurantistas, sem nunca descurar o seu lado iluminista e também humanista, caracterizado por antagonismos e o seu modo evasivo, no que concerne às sua posições ideológicas sem nunca se colar a um movimento, o que combina de facto com a sua personalidade, se por um lado aberta para o mundo, por outro ostraciza-se do mesmo, muito embora nunca se sectarizar, fazendo dela um ente fulcral e indispensável na Aldeia Global. Escritora polémica por chegar a fazer os críticos questionar-se sobre a sua própria existência.
O nosso 2º colaborador, amigo e camarada de palestras, conhecedor a fundo da obra de Kayam Sonedra, e uma apaixonado do movimento Antagónico-naturalista, é sem dúvida alguma, o maior e melhor divulgador das obras deste mesmo movimento, e um estudioso da sua história. Destacou-se na década de 80 pela Poesia e Romances de cariz neo-realista. Entre as suas obras, há a frisar " Pano para mangas", um retrato social contemporâneo, narrativa plena de imaginação e bom humor. Demonstra um capacidade excepcional de conjugar a fantasia com a realidade. Se o tivessemos de comparar com um autor contemporâneo sem dúvida seria um Joseph Conrad, um Gorki, ou mesmo um Nicolai Gogol do Séc. XXI, salvaguardando, claro está, a estética sócio-politica que nos separa desses tempos.
Em suma, espera-se que colaboração deste estimado e acarinhado casal, venha enriquecer exponencialmente este espaço, e sirva para aumentar o seu teor narrativo e acima de tudo polvilhar de criatividade e imaginação o mundo virtual. É com grande expectativa e alegria que abraçamos estes autores-criadores no nosso blog. Desde já a nossa gratidão por acederem ao convite e um grande bem-haja.
Apontamentes, Oito de Setembro de Dois Mil e Oito
Na foto, personagens ficticias. Sines, 2008( por z. )
O Início sem um fim

z.(=mc2)
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Plantaro

Plantaro (aŭ flaŭro) estas la tuto de plantoj en certa regiono aŭ epoko respektive la sistema priskribo de ĝia tuto. Ĝi estas listigita en listoj, kiujn oni ankaŭ nomas flaŭro aŭ plantaro kiel katalogo ofte kun kun rekonŝlosilo. La vorto flaŭro estas dedukita de la latina nomo flora de la romia diino de floroj kaj juneco. Komplemento de la flaŭro estas la faŭno, la bestaro, nomita laŭ la romia diino Fauna.
zïe
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Entrevista a Kayam Sonedra
Encontrei, num pequeno alfarrabista da capital (não digo qual, espero que compreendam), um livro que é uma colecção de entrevistas feitas a artistas pouco conhecidos. Curiosamente, encontrei uma entrevista feita a Sonedra, da qual tirei um pequeno excerto para o deleite dos amantes da sua escrita e arte em geral!
"(...)P - Começou pela escrita. Pode falar-nos disso?
KS - Sim... A primeira vez que descobri a necessidade completamente incontornável de criar algo a partir das formas que surgiam na minha mente, foi tão forte a sensação que quase desmaiei. Quando recuperei a consciência tinha o meu primeiro texto (monte plúbio) fotografado na minha mente. Uma barragem tinha-se aberto e as palavras fluíam. Não, não era bem como uma barragem... Era mais como uma metrelhadora de fotografias a textos, um strob inacabável de imagens. Foi também a partir dessa imagem/momento que mais tarde me interessei pela fotografia.
P - Já vamos à fotografia. Primeiro, o que é que torna a sua escrita tão particular?
KS - Primeiro, a ilusão triste de uma época sombria do pós guerra. Claro que muita gente é influênciado por isso, mas o que difere, penso eu, é a ligação disso com as minhas outras influências.
P - Tais como?
KS - Houve uma época que frequentava o "doce cálice", bar de artistas, intelectuais e revolucionários, destruído num atentado de extrema direita. Lá conheci figuras como Karol Metinski, pintor surrealista de traços minimalistas a carvão, que me fez ver a beleza de um traço e que tentei reproduzir com a minha escrita e mais tarde também com a fotografia; havia outro senhor obscuro que nunca disse o seu nome a ninguém, nunca permitia que lhe desse alcunhas ou designações de qualquer espécie, porque estava a trabalhas sobre a ausência do indivíduo em pessoas concretas. Transmitia as suas ideias pela pintura, onde utilizava vários pontos de fuga, e a noção tridimensional como forma de nos fazer entrar na obra, jogando depois com as diferentes dimensões, tanto na clarificação do contexto como na evidênciação dos conflitos inerentes à despersonalização do indivíduo num paradigma real de guerra, morte e ressureição alegórica. Isto influênciou a minha utilização de "nonsense" e da representação axiomática daquilo que as pessoas chamam "dom" e que eu denomino apenas por "pedantismo" na escrita, fotografia e pintura.
P - Estou a ver que não consegue separar as diferentes artes que pratica. Todas elas refletem as mesmas ideias?
KS - É impossível separar as coisas dessa forma. Tudo flui do mesmo ser e sou influênciado inconsciêntemente pelo mundo à minha volta... posso talvez dizer que não intereesa o que fazemos mas como o fazemos. Não intereesa se estamos a escrever, a fotografar, pintar, esculpir, etc.. Isso são apenas estados de espírito. Por exemplo, escrevi o texto "Ovo em Decomposição", mas poderia ter pintado um quadro. O importante foi a utilização da técnica destrutiva. Ou na minha pintura com colagens "Queda de Homem do Telhado e Quebra de Membros Inferiores com Fractura Exposta" onde o importante não foi a técnica mas a ideia da fragilidade do cosmos no caos, como escrevi no meu primeiro livro. (...)"
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Kayam Sonedra - Registos bibliográficos
http://crostaceo.blogspot.com/2008/09/havia-um-homem-aqui.html